Psicóloga Sílvia Regina Simões

Psicóloga em Jundiaí – avaliação neuropsicológica de crianças e adultos, psicoterapia comportamental individual e terapia de casal


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“Eu mereço!” – Como essa frase pode arruinar sua vida

Merecimento

Significado de Merecimento

substantivo masculino Qualidade em função da qual se merece prêmio, apreço, estima etc. Valor, mérito, importância.

De acordo com a definição do dicionário, merecimento é a consequência de uma qualidade, um prêmio, uma importância recebida, por conta de uma característica distinguível de alguém. Infelizmente, isso não existe. Para conseguir algo, é necessário se comportar, agir de forma contextual.

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O pensamento mágico de que há uma recompensa maior e acessível após uma série mais ou menos longa de esforços empreendidos é muito comum na nossa sociedade. As próprias religiões mais populares pregam isso. Se você se sacrificar e se esforçar, você ganhará o reino dos céus. Na vida terrena, a história é outra.

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A condição desfavorável do elefante o coloca em desvantagem para realizar a prova, em relação ao macaco, por exemplo. Ele pode ser um elefante genial e ótimo com os outros, isso não o faz superar condições desfavoráveis nessa situação.

É preciso partir do princípio que o ambiente que cerca os seres é, em boa parte, incontrolável e responde-se primordialmente às demandas de sobrevivência. Higiene, alimentação, locomoção, socialização, etc. A não ser que alguém seja um bilionário e, de acordo com o nosso sistema, ninguém que tenha um ambiente desfavorável a isso chega a esse patamar, sua luta pela sobrevivência é grande e diária. Veja, até o ricaço depende de um ambiente incontrolável para ter conforto financeiro – sua condição não é mérito exclusivo seu!

Acreditar em merecimento impede o homem de se comportar e buscar ambientes mais favoráveis aos seus desejos e necessidades. Pensar que sacrifícios emocionais hoje lhe trarão reconhecimento e honra no futuro, é contar com frustração. Ha desânimo e até inveja como subprodutos dessa expectativa fantasiosa de merecimento.

Sacrifícios emocionais lhe deixarão doente, você vai requerer ajuda de terceiros em algum momento e se a admiração e serviço das pessoas por quem tem apreço estiverem empenhados em outra atividade demandada pelo ambiente, não serão seus sacrifícios passados em prol delas que operarão sobre as circunstâncias ou sobre elas para lhe dar a “merecida” atenção.

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Um olhar mais realista seria contar com um direcionamento moral e social de suas ações, para que seu histórico não lhe coloque em uma situação difícil no futuro. Mais realista seria também, observar as condições atuais, suas e do contexto, para medir qual ação é necessária e qual é a possibilidade do ambiente consequência-la conforme almeja. Ações efetivadas ao longo de um tempo alteram a probabilidade do responder favorável ou não da comunidade às suas inventivas. Mas não lhe garantem nada por uma qualidade adquirida, sem necessidade de comportar-se à altura do que deseja, no ambiente apropriado.

O merecimento é um tipo de abrigo no qual os derrotados reivindicam aquilo que não foram capazes de conquistar.

DIREITOS

E aquelas consequências a que temos direito, só por existirmos, na sociedade? Calma! Existir, por si só, é comportar-se! Os direitos são regras a partir das quais podemos viver, sem ter que questionar, argumentar, lutar para chegar a lugares reconhecidamente importantes e básicos. Essas regras economizam necessidade de comportar-se, mas não caem no colo de ninguém sem que se percorra o caminho de acesso a elas.

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Portanto, até mesmo para acessar direitos, é necessário emitir respostas em determinado contexto em que as percebemos como prováveis de serem alcançados.

“Deus ajuda quem cedo madruga”

Há muita sabedoria na frase “Deus ajuda quem cedo madruga”, madrugar é fundamental para alcançar algo, é um comportamento condição para receber ajuda, mesmo de uma entidade considerada onipotente na nossa sociedade!

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Feliz ano novo! 5 dicas para viver melhor em 2017

FELIZ ANO NOVO!

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O que a virada calendário civil muda na sua vida? Trata-se de uma oportunidade de rever hábitos e resultados em desajuste e recomeçar as coisas em sua vida também.

E como meu papel é ajudar você a ter uma vida mais satisfatória e plena, vou deixar algumas dicas para viver melhor em 2017, do ponto de vista da psicologia:

dicas24-0415 DICAS PARA VIVER MELHOR EM 2017

  1. Experimente diariamente interações sociais de qualidade: esteja em contato o mais direto possível com pessoas que você gosta;
  2. Agradeça pelas pequenas coisas que lhe fazem bem e/ou elogie alguém: pare e pense ao menos 3x/dia (manhã, tarde e noite) nas coisas em sua vida pelas quais você é grato ou busque algo a que elogiar em alguém – são formas de tirar o foco natural do seu cérebro sobre que lhe ameaça ou descontenta para manter-se positivo;
  3. Enfrente e transforme os sentimentos ruins: encare raiva, nervosismo, irritação, decepção, como sinais da necessidade de mudança; identifique a situação vivida que os gerou e tome outra atitude diante dela;
  4. Respire profundamente: Ao fazer isso, você controla a região do seu cérebro que lhe mantém em estado de tensão e preparado para a ação mediante uma ameaça iminente, situação que comumente leva ao estresse.
  5. Durma bem, faça uma pausa, evite alimentos ultraprocessados: não estou falando de uma dieta ou mudança radical. Apenas vá se deitar mais cedo, evite luzes de eletrônicos, tome uma bebida morna; organize-se para fazer uma pausa de hora em hora e tomar um copo de água fresca e evite ficar letárgico durante o dia consumindo gorduras e açúcares em excesso.

E lembre-se:

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É seu direito irrevogável ser respeitado em seus sentimentos, pensamentos e necessidades e ser tratado com dignidade. O mesmo vale para o outro.

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Se você cansar, descanse primeiro e só depois decida por desistir ou não.

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Uma situação é apenas um momento ruim. A vida é um oceano formado por infinitas gotas de situações, sejam elas boas ou ruins. Diante de um oceano inteiro, uma gota não define nada.

Um excelente ano a todos!


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“Ele(a) me irrita!” – Como lidar

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Isso é porque você age de maneira menos habilidosa sob efeito da irritação, no sentido de reduzí-la. Se os ovos estão podres, não tem como o bolo ficar bom!

Quem nunca sentiu raiva, irritação, frustração ao conviver ou se comunicar com outra pessoa? Seja porque o outro não nos entende, não nos deixa falar, critica tudo o que dizemos, nos acusa de fazer ou sentir o que vemos como a pessoa fazendo ou sentindo… São muitas as razões pelas quais podemos nos sentir raivosos ou irritados.

Pois vamos pensar nessa situação da seguinte forma:

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Vai chover. As janelas de casa estão abertas. Se não fechá-las e chover dentro de casa, a responsabilidade sobre o ocorrido é minha ou da chuva?

A CHUVA SÃO AS OUTRAS PESSOAS: Eventos da natureza são incontroláveis. Vamos nos construindo em torno deles de forma a prevenir prejuízos ou tirar proveito máximo de seus fenômenos.

A CASA SOMOS NÓS: Na casa sim podemos atuar. Construí-la de palha ou de tijolos, com janelas amplas para aproveitar a iluminação natural, cuidar do telhado e, principalmente, cabe a nós estarmos atentos aos eventos externos e incontroláveis que podem nos causar prejuízos e tomar as providências para evitá-los.

13912749_1313190772025661_5536711739650854768_nAmarga realidade, não é? “Quer dizer que outra pessoa insuportável me irrita e sou eu quem deve tomar medidas para não me irritar?”
A resposta é: A princípio, sim.
“Mas ela está certa, então?”
Depende. Se certo for fazer a coisa exata que gera tais consequências que desejo, pode ser que sim.
É mais importante estar certo ou resolver o problema?

Mas o que seria FECHAR A JANELA?

– Estar atento aos seus limites,
– Priorizar o amor própio,
– Saber exatamente quais são suas cartas e suas possibilidades naquela jogada. Seria saber dar o real peso que a opinião e posição outro tem sobre você,
– Não esperar CONVENCER o outro daquilo que é importante para SI,
– Não esperar OBTER SUPORTE IRRESTRITO do outro,
– Não depender da APROVAÇÃO do outro para atitudes que VOCÊ deve tomar,
– Não deixar a AUTONOMIA ALHEIA lhe ferir, pois você só pode trabalhar com A SUA PRÓPRIA.

SUGESTÃO DE LEITURAS COMPLEMENTARES SOBRE:
Limites, Amor próprio, Autoconfiança

Viver pequenos momentos de irritação é comum a todas as pessoas do mundo. Ninguém é tão vigilante e adequado que esteja com a janela sempre fechada aos primeiros pingos. Sendo assim, OUÇA antes de falar e mantenha como regra REFLETIR E ANALISAR ANTES DE RESPONDER. Pensar a respeito é a forma mais garantida de conseguir recorrer aos recursos que citei acima. Além disso, há o conteúdo verbal e não verbal da fala. A forma e como isso lhe afeta é um bom referencial sobre a hora de parar de responder e refletir.

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Costumo dizer: “Essa interação não atingiu níveis mínimos de segurança para ser realizada”. Esteja atento a analisar tais níveis para saber quando fechar a janela.

ATENÇÃO! 
Alguns comportamentos alheios são violentos ou doentios e causam um estrago imediato ou a médio e longo prazo em nossas vidas. Nesses casos, é preciso intervir, não só fechando a janela, mas às vezes recorrendo à nossa rede de apoio e até às autoridades que orientarão ou apoiarão a produzir formas mais efetivas de proteção e prevenção de danos.

Um forte abraço*


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AUTOCONFIANÇA – Opinião dos outros e seu verdadeiro valor

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Pessoas pouco autoconfiantes se sentem humilhadas, inferiorizadas, por atitudes e opiniões alheias que nem precisam ser direcionadas a elas. Evitam atividades em que seu possível fracasso superestimado possa ficar evidente. Parecem arredias, desanimadas, têm poucos relacionamentos e cuidam mal de si mesmas.

A falta de autoconfiança pode gerar muitos prejuízos a vida de alguém, não é?

A opinião dos outros é um predador natural da pessoa com baixa autoconfiança. O que outras pessoas pensam a seu respeito por muitas vezes lhe quebra. Mesmo que os outros pensem bem dela! Há os extremos “Ele tem razão, eu não consigo” e “Ele não sabe quem realmente sou, tem uma visão positiva demais de mim”.

COMO SE DESENVOLVE A AUTOCONFIANÇA NAS PESSOAS

A partir de situações vividas na infância e na adolescência, quando estamos em pleno desenvolvimento, aprendemos sobre como lidar com o mundo e quanto valemos. É necessário que os pais controlem as circunstâncias as quais somos expostos, para aprendermos a ter autoconfiança.

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A autoconfiança em adultos, em geral, necessita de acompanhamento psicológico para ser desenvolvida, uma vez que o adulto já é autônomo o bastante para controlar boa parte das variáveis envolvidas no seu dia a dia, mas não sabe como lidar com elas para tirar proveito no sentido de melhorar sua confiança.

Veja algumas situações vividas que podem contribuir ou prejudicar o desenvolvimento da autoconfiança em crianças e adolescentes:

  • PREJUDICA – Comparações da criança com outras crianças. Cada indivíduo é único e desenvolve uma maneira específica de lidar com as coisas e obtém seus resultados com isso.
    COMO REVERTER: O foco deve ser nos recursos que a criança tem e a melhora em relação a si mesma, sempre.
  • CONTRIBUI – Dar responsabilidades compatíveis com a idade da criança/adolescente, dar um modelo de como proceder, estabelecer o resultado esperado. Ao receber uma responsabilidade e conseguir chegar ao resultado claro esperado, a criança passa a confiar na sua capacidade de “dar conta” das coisas.

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  • PREJUDICA – Fazer pela criança/adolescente o que ele já é capaz de fazer sozinho. O indivíduo precisa necessariamente experimentar na prática fazer as coisas que lhe são possíveis para aprender sobre suas capacidades.
    COMO REVERTER: Atribua atividades, segure a ansiedade e a necessidade de manter o controle sobre os resultados e deixe situações simples se tornarem fonte de aprendizado e desenvolvimento. Muitos pais e cuidadores pecam nesse sentido por estarem com o tempo apertado ou não conseguirem abrir mão de ter as coisas feitas do jeito que gostam ou fazem. Isso gera sérios danos aos filhos.
  • CONTRIBUI – Ter uma atitude positiva diante dos esforços do indivíduo. “Críticas construtivas”, na maior parte das vezes, diz respeito à necessidade do adulto controlar a situação e atender às suas expectativas pessoais sobre as ações do outro.

UMA PARÁBOLA SOBRE A IMPORTÂNCIA DA OPINIÃO DO OUTRO
NO SEU AUTOCONCEITO

Autoconceito? Mas não era autoconfiança? Autoconceito, autoconfiança, autoestima e responsabilidade são conceitos separados por razões didáticas, mas são uma coisa só e as ações empreendidas no sentido de prejudicar ou desenvolver uma coisa, afeta todas as outras.

Na parábola a seguir, fica clara a posição frágil e inadequada da opinião alheia sobre realmente quem somos.

 

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LEIA AQUI A PARÁBOLA

Portanto, a não ser que seja o seu psicólogo (expert em avaliar o comportamento e a capacidade das pessoas) e ainda sim você deve questionar os posicionamentos do mesmo sobre quem você é e do que é capaz, não aceite opiniões alheias como verdades absolutas. Elas são resultado das vivências pessoais de quem as emite e não um retrato fiel da verdade. Servem para levantar uma reflexão sobre a imagem que a pessoa tem sobre você, SOBRE O IMPACTO QUE SUAS AÇÕES LHE CAUSAM e não para sentenciar quem você é!

Um abraço e até a próxima!

 


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Como educar os filhos? Tempo de qualidade, fundamental para o desenvolvimento infantil

Um conflito doloroso para os pais nos tempos atuais quando pensam sobre como educar os filhos é: trabalhar para garantir conforto para a família ou estar presente o máximo de tempo possível, para educá-los e criá-los? Como costumo dizer aos meus clientes na terapia clínica, o importante é que haja um tempo, todos os dias, em que pai e mãe (ou cuidador/responsável) dediquem atenção de qualidade para os filhos, fundamental para o desenvolvimento infantil sadio.

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Atenção de qualidade inclui:

– supervisão das tarefas;
– demonstração de interesse real pelas atividades desempenhadas ao longo do dia deles;
– conversar sobre seus sentimentos, medos e anseios;
– colocar limites e frustrá-lo, quando necessário;
– fazer perguntas que o levem a “ensaiar” alternativas aos seus problemas e não dar a solução pronta;
– quando for o caso, orientar claramente;
– tocar afetivamente, ou seja, abraçar, tocar o braço do filho ou sua perna enquanto está sentado ao lado dele, vendo algo, beijá-lo ao menos nos cumprimentos básicos do dia, etc;
– olhar nos olhos enquanto fala;
– escutar ativamente
Entre outros comportamentos similares.

Em quanto tempo por dia é possível fazer tudo isso? Creio que em menos de meia hora, fica difícil. É importante salientar que, enquanto os pais estão dando atenção de qualidade, estão focados na interação com os filhos e não fazendo paralelamente outras atividades, como assistir TV, lavar a louça ou mexer no telefone. Na missão de “como educar os filhos”, é preciso que os pais tenham tanto foco e responsabilidade quanto esperam dos filhos – ou um pouco mais.

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A revista Crescer (Editora Abril), publicou recentemente uma matéria sobre como educar os filhos e a importância da atenção de qualidade neste processo. Nela, o psicólogo Caio Feijó salienta um comportamento comum, mas muito prejudicial, praticado por pais que passam muito tempo fora do convívio dos filhos: “compensar” a ausência financeiramente (com presentes e realizando todas as vontades) e não frustrar os filhos no dia a dia, deixando de impor limites e educá-los para agradá-los. “Esse é um fenômeno muito comum, motivado pelo sentimento de culpa desses pais que tentam nesse tempo dar aos filhos tudo que pedem. As consequências desse comportamento são várias e todas negativas: os filhos se tornam indivíduos dependentes, sem limites, muito mais focados em ter do que em ser e também pouco afetivos”, afirma ele.

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A publicação traz também um teste sobre a questão. Faça-o e saiba como anda sua conduta e qual é a qualidade do tempo que tem dedicado aos seus filhos AQUI

Ficou alguma dúvida sobre o assunto? Utilize a seção PSICOLOGIA ONLINE e deixe sua questão que responderei tão logo seja possível. 

Um forte abraço*

foto site círculo silvia regina simoes psicologaSilvia Regina Simões
Psicóloga Clínica
Jundiaí – SP