Psicóloga Sílvia Regina Simões

Psicóloga em Jundiaí – avaliação neuropsicológica de crianças e adultos, psicoterapia comportamental individual e terapia de casal


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DICA DA PSICÓLOGA – Filhos em casa na quarentena – o que os pais precisam saber


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“Carta aberta sobre meu fim” comentada – sobre relacionamentos na atualidade

CARTA ABERTA SOBRE O FIM

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Autora: Luciana*

*Nome fictício, a fim de proteger a identidade da autora

“Aqui dentro é abafado. Tento mover meus braços cruzados sobre o meu peito. Nada. Tento mover meus pés. Nada. Tento abrir os olhos. Nada outra vez. Meus pensamentos me aterrorizam. Tento respirar, nada acontece. Estou morta! Ele conseguiu. Estou morta e nada mais pode ser feito.

COMENTÁRIO: Quando encerramos um relacionamento, seja por qual razão for, temos uma interrupção abrupta de uma fonte importante de interação social que sustenta nossa felicidade e bem estar. Nosso humor deprime e nos falta energia para tudo. 

Ele veio como uma chuva suave e refrescante num fim de tarde de verão. Humilde, hesitante, proferia palavras doces como se sentisse alívio ao tocar minha alma numa construção tão sutil e natural que nomeei amor. Eu permiti. Abri a porta. Eu o ajudei a cavar minha cova. Sua barba, afinal, não parecia assim tão azul.

COMENTÁRIO: Em geral, quando há conexão emocional, ou seja, o repertório de ambos compartilha de formas semelhantes de manifestar e produzir afeto, há um grande impacto um sobre o outro, dependendo da disponibilidade de cada um. A intensidade com que se instala a consequência para a presença do objeto de afeição pode ser muito grande, dados os efeitos fisiológicos conhecidos da paixão. (LEIA MAIS AQUI)

A alusão ao conto do Barba Azul é bem interessante. Resumidamente, ele descreve um homem grotesco que costuma colecionar assassinatos às esposas que lhe confrontam, conquistando-as por meio de amabilidades, fazendo com que a mulher duvide de sua intuição e da sabedoria da comunidade que fala sobre o perigo de se relacionar com o pretendente. No vídeo acima, uma versão simplificada do mito. Minha versão preferida consta no livro “Mulheres que correm com os lobos”.

Coloquei minha generosidade aos seus pés, entreguei minha compaixão à sua terrível história de abusos e violência. Enxuguei suas lágrimas, o encorajei. Rastreei o que havia de melhor nele e o exaltei, incentivei, apoiei.

COMENTÁRIO: Numa relação, expor sua história é muito comum. É assim que geramos parte da intimidade, que nos permite compreender o que motiva o comportamento do outro. No caso do relato de histórias muito fortes de sofrimento emocional, ativamos repertórios de empatia, temos compaixão e buscamos proporcionar conforto emocional para o outro, quando indivíduos saudáveis e bem desenvolvidos. 

Ele falava de um modo tão intenso de um amor que redescobriu ao me encontrar. Fiquei embriagada na sua teatralidade. Seu dom para a perfídia é tamanho que seus olhos transbordavam sinceridade. Parecia ter sempre urgência em me sentir, me possuir, me usar. Cega pelas suas palavras, na força de suas mãos me puxando contra si, na caótica cortina de fumaça que ele mesmo construiu, cedi.

COMENTÁRIO: Ouço muito as pessoas relatarem um sentimento intenso, como se já existisse há muito tempo. Do ponto de vista da psicologia, isso pode ser explicado com topografias (formas de agir, vocabulário, aparência, micro expressões corporais e faciais, principalmente) similares às de seu seio familiar ou de amigos de muito tempo. Além disso, como citei acima, a semelhança entre as formas de produzir comportamentos ditos de afeto aproxima e cria quase que instantaneamente essa sensação de vínculo profundo. 

Em relacionamentos abusivos e até mesmo golpes, é comum que o envolvido crie um contexto secundário caótico para envolver a vítima e forçar algumas situações que apenas o encontro deles não dariam oportunidade. 

Guardei as armas dele sob o meu travesseiro. Expus meus pontos sensíveis, um a um. Permiti que ele ficasse quando todo o meu socorro partiu. E ele me matou. Porque sim, porque tinha esse poder.

COMENTÁRIO: A exposição precoce de intimidades torna os parceiros vulneráveis. Não se trata aqui de julgar se certo ou errado, NÃO! Mas há um ditado que diz que só se conhece bem alguém quando a gente se separa. Isso, porque diante da raiva e da dor da perda, a depender da história de vida de cada um, tudo pode se transformar em arma. 

Já quando Luciana* afirma que seu socorro partiu, há uma forte afirmação de relação abusiva aqui, na qual o parceiro afasta de alguma forma a parceira dos seus vínculos, para torná-la vulnerável. Quando ela afirma que ele “a matou”, porque “tinha o poder”, reafirma a intencionalidade em ser fragilizada. 

VÍDEO – Relacionamentos abusivos – dependência afetiva e vulnerabilidade

Como todas as mortes pelas mãos de homens incapazes de amar mulheres, o gatilho foi uma bobagem qualquer. Ele me tirou tudo e foi embora. E de onde seguramente tramou meu extermínio, detonou cada arma que havia preparado para me destruir. Ele me encurralou, ameaçou, tomou-me a força, lacerou minha carne, cuspiu nas feridas que abriu e me jogou naquela vala. Aquela que eu ajudei a abrir.

COMENTÁRIO: A filósofa americana Marilyn Frye faz uma declaração em seu livro “Políticas da Realidade: Ensaios sobre Teoria Feminista”, de 1983, que considero uma explicação certeira sobre o machismo em relações heterossexuais:

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“Dizer que um homem é heterossexual implica somente que ele mantém relações sexuais exclusivamente com o sexo oposto, ou seja, mulheres. Tudo ou quase tudo que é próprio do amor, a maioria dos homens héteros reservam exclusivamente para outros homens. As pessoas que eles admira; respeitam; adoram e veneram; honram; quem eles imitam; idolatram e com quem criam vínculos mais profundos; a quem estão dispostos a ensinar e com quem estão dispostos a aprender; aqueles cujo respeito, admiração, reconhecimento, honra, reverência e amor eles dejesam; estes são, em sua maioria esmagadora, outros homens. Em suas relações com mulheres o que é visto como respeito é gentileza, generosidade ou paternalismo; o que é visto como honra é a colocação da mulher em uma redoma. Das mulheres eles querem devoção, servitude e sexo. A cultura heterossexual masculina é homoafetiva, ela cultiva o amor pelos homens.”

CONTINUANDO: Sendo essa a parte mais forte da carta, sobre possíveis atos criminosos, deixo claro que Luciana* esclareceu que se tratam de metáforas para os abusos psicológicos sofridos. Ela afirma ter sofrido ameaça de ter vídeo íntimo gravado sem sua autorização vazado para seus familiares, bem como outras ameaças ao seu corpo, perdas financeiras e morais – que são tão graves quanto agressões físicas. 

Não senti medo o bastante. Não senti necessidade suficiente. Ele tentou tirar de mim uma vida nova, que custaria a minha própria e eu lhe ofertei construirmos juntos. Então, ele decidiu que, se não pudesse ser dele, a vida não continuaria a ser minha.

COMENTÁRIO: A autora faz alusão aqui à tentativa de intimidação por parte do parceiro, para que cedesse às suas necessidades e se submetesse. Ele teria exigido que ela lhe facilitasse financeira e socialmente as coisas, para que ele começasse uma nova vida ao seu lado.

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Morri, sim. A mulher que ele usou morreu. Não respira mais, não se move mais, não fala mais. O meu sangue, porém, estará sempre vivo e exposto, em suas mãos brutas, em seu olhar mentiroso, como um sinal que o denuncia. E o meu sangue inocente vai escancarar a natureza de sua sedução. O sono eterno, para ele, seria um benefício, para mim, um alívio.”

COMENTÁRIO: Vemos no fim da carta a necessidade atual de expressar uma consequência que lhe dê uma noção de justiça diante das perdas que sofreu por obra do parceiro. Atual, pois ela está num processo de análise e compreensão de como os fatos ocorridos podem dar a ela condições de fazer ajustes e melhorar suas estratégias de relacionamentos no futuro. AQUI há um artigo em que falo sobre vingança. “Quem sente culpa sempre busca uma punição”, diz a cultura popular. Na psicologia, é muito comum esse tipo de comportamento, sim. Mas isso é um tema complexo, para outro post. 

Por hora, a indicação para ela é cortar completamente o contato com ele e as lembranças que decorrem da relação. Há pessoas que acham melhor cortar o vínculo aos poucos, no entanto, de acordo com a psicologia, o contato intermitente com o objeto de desejo ou mesmo que gera dor, pode estender desnecessariamente o luto, que envolve adquirir novos repertórios de atividades socialmente relevantes e afetivas, se possível, variadas, para reconstruir seu universo afetivo e seguir em frente. 

Agradeço mais uma vez a confiança e generosidade, Luciana*! E estaremos juntas no seu recomeço.

Um forte abraço*

 


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Indicação de leitura – ‘Lookism’ e como a beleza pode excluir pessoas (Incrível)

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Você já teve algum benefício só por ser bonito(a)? Ou sente que já sofreu um prejuízo por não se encaixar no padrão atual de beleza? Então, essa leitura é para você. O artigo que compartilho fala de uma forma muito interessante sobre como a beleza influencia nossos sentidos e a nossa tomada de decisão.

LEIA O ARTIGO SOBRE LOOKISM AQUI – Do site Incrível

Boa leitura! Até breve!


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VÍDEO – Relacionamentos abusivos – dependência afetiva e vulnerabilidade


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Neurotransmissores, emoções e atividades simples

As nossas emoções não surgem da “mente” como uma produção metafísica de uma entidade invisível. Não! Elas são uma combinação complexa de substâncias químicas presentes no cérebro, chamadas de neurotransmissores.

A disponibilidade de neurotransmissores é multideterminada. As nossas atividades concretas no meio influenciam a combinação que forma nossas emoções.

Alguns neurotransissores são mais badalados na mídia que outros. Quem nunca ouviu falar de dopamina, adrenalina, endorfina ou serotonina? Fala-se destes quando se referem a medicamentos, a drogas lícitas e ilícitas, a transtornos mentais e até a alimentos!

Publico aqui uma tabela extremamente resumida, mas igualmente útil para começar a proporcionar mudanças na rotina que podem fazer muita diferença nas suas emoções!

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Indicação de leitura – O impacto da época sobre o conceito de beleza e comportamento

Almoço de domingo, três gerações reunidas em torno da mesa e alguém puxa assunto sobre a polêmica da semana. Está formado o cenário do caos. Cada geração, embora presencie os mesmos fatos, terá uma percepção diferente de certo ou errado ou mesmo de bom tom ou mau gosto. O consenso depende de muita capacidade de administração de conflitos, coisa que, ninguém aprende no seio familiar ou na escola. Mas como e por que isso acontece?

Esse artigo da BBC Brasil traz essas respostas e dá exemplos muito interessantes do processo histórico de validação de traços de beleza e de comportamento.

LEIA AQUI

Como o tempo mudou nossas noções de tristeza, timidez e até beleza

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E deixe seu compartilhe sua opinião aqui com a gente!

 

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SERVIÇO – Avaliação neuropsicológica de crianças em Jundiaí: dificuldade de aprendizagem, desenvolvimento e TDAH

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Crianças com dificuldades de aprendizagem, atrasos de desenvolvimento e TDAH (transtorno de déficit de atenção) contam com avaliação neuropsicológica (incluindo psicodiagnóstico com WISC IV) de Sílvia Regina Simões, psicóloga em Jundiaí.

São diferentes baterias de testes psicológicos e neuropsicológicos, que contribuem para o diagnóstico do neuropediatra, fonoaudiólogo e psicopedagogo e promovem tratamentos precisos para solucionar questões da infância, seja de comportamento ou da inteligência e cognição.

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Os públicos podem ser divididos em duas classes: de 3 a 5 anos e de 6 a 11 anos, levando em conta não alfabetizados e alfabetizados. Nestas fases de desenvolvimento, a afetividade, o desenvolvimento psicomotor e neuropsicológico são os maiores desafios. Tanto questões durante a gestação, no parto ou nos primeiros dias e semanas de vida são determinantes.

“A forma como vivemos e nos organizamos hoje no dia a dia também é um desafio para o desenvolvimento da criança. Quem cuida e como cuida da criança, a estimulação que recebe para falar, brincar, expressar sentimentos, tudo isso tem um peso grande no desenvolvimento infantil. Avaliação neuropsicológica de crianças (incluindo psicodiagnóstico com WISC IV) leva em conta tudo isso”, explica a psicóloga Sílvia Regina Simões. 

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O processo de avaliação neuropsicológica de crianças  (incluindo psicodiagnóstico com WISC IV) envolve os cuidadores (pais e outros) da criança, escola, profissionais que as acompanham e pode durar de duas semanas a três meses, dependendo da gravidade da demanda e da agenda da avaliadora.

SERVIÇO

O quê? Avaliação neuropsicológica de crianças em Jundiaí (incluindo psicodiagnóstico com WISC IV)

Onde? Consultório na Rua Anchieta, 204, edifício Uffizi Medical Center, Vila Boaventura (Centro) de Jundiaí, SP
Quem? Psicóloga Sílvia Regina Simões – CRP 06/121198
Condições de pagamento: Os valores podem ser parcelados no cartão de crédito* e não há cobertura de convênio médico para este serviço
Agendamentos: WhatsApp (11) 9 9615 8632 – s.silvia.psicologa@gmail.com

*Consulte condições